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Marcelo Rondelli Brito

Fundador do InsulOne · Diabético tipo 1 desde 2011

01 de maio de 2025 · 5 min de leitura

Por que um diabético tipo 1 há 15 anos criou o próprio app de insulina

Por mais de uma década, mesmo usando sensor de glicose e contando carboidrato, minha HbA1c nunca ficou abaixo de 8. Então resolvi criar minha própria solução.

Descobri que tinha diabetes tipo 1 em janeiro de 2011. Tinha muita sede, ia ao banheiro toda hora, a visão estava turva. Saí do consultório sem entender nada do que era aquela doença — e com uma realidade completamente nova para o resto da vida.

Desde então, aprendi a contar carboidrato, calcular dose, interpretar a glicemia. Comecei a usar o Libre Freestyle e achei que finalmente estava no controle. Mas todo exame de hemoglobina glicada chegava com o mesmo número frustrante: acima de 8.

Não era falta de cuidado. Era outra coisa.

O problema que ninguém fala

Existe uma verdade incômoda sobre o diabetes tipo 1 que todo T1D conhece, mas que raramente aparece nas consultas médicas: cada corpo responde diferente.

A mesma refeição, no mesmo horário, com a mesma dose — pode resultar em 120 numa semana e 280 na outra. O estresse influencia. O sono influencia. O exercício de ontem influencia. A resistência insulínica muda ao longo do dia.

As ferramentas que existiam me diziam quanto carboidrato tinha no prato. Mas nenhuma aprendia como o meu corpo respondia àquele prato.

Eu estimava certo. Calculava certo. E ainda assim os números não chegavam onde eu queria.

A decisão de criar a solução

Sou desenvolvedor de software. Em algum momento entre a frustração de mais um exame ruim e a vontade de ver meus filhos crescerem, decidi que ia resolver esse problema.

Não para vender. Para usar.

Comecei a construir o InsulOne com uma premissa simples: o app tinha que aprender o meu padrão específico, não uma média populacional. Tinha que considerar meu fator de sensibilidade, minha razão insulina/carboidrato, meu histórico de respostas.

E tinha que ser simples o suficiente para usar no meio de um almoço de família, sem tirar o foco do momento.

O resultado que mudou tudo

Três meses depois de começar a usar o InsulOne no meu dia a dia, fiz o exame de HbA1c.

7,4.

Pela primeira vez em mais de uma década, fiquei abaixo de 8. Mais do que o número, o que mudou foi a sensação de finalmente entender o que estava acontecendo com o meu corpo. Cada refeição fotografada, cada dose registrada, cada glicemia pós-prandial — o sistema foi aprendendo, e eu fui aprendendo junto com ele.

Levei o relatório gerado pelo app para o meu endocrinologista. A consulta foi completamente diferente. Em vez de tentar lembrar o que tinha comido na semana, a gente olhou para dados reais e focou nos ajustes que eu ainda precisava fazer.

Por que estou tornando isso público

Marcelo Rondelli Brito com a família

Por eles. Para envelhecer junto com quem amo.

Porque sei que não sou o único T1D que já saiu de um exame com aquela sensação de "fiz tudo certo e ainda assim não foi suficiente".

O InsulOne não substitui médico. Não é um dispositivo médico. É uma ferramenta de apoio — para calcular com mais precisão, registrar com mais consistência e chegar às consultas com dados que realmente ajudam.

Se você é diabético tipo 1 e reconhece alguma coisa nessa história, vale testar. O plano gratuito já cobre o essencial.

Criei o InsulOne porque quero viver bem pelo maior tempo possível. Para ver meus filhos crescerem. Para envelhecer junto com minha esposa.

Se ajudar mais uma pessoa a chegar lá, já valeu.

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